A maioria dos contratos de médio e longo prazo em vigor hoje — de prestação de serviço, de fornecimento, de locação comercial — foi redigida num momento em que ICMS, ISS, PIS e Cofins eram uma realidade estável, previsível havia décadas. Esses contratos não foram pensados para um sistema tributário em transição, que muda campo de nota fiscal em agosto, adia penalidade em setembro, e ainda vai substituir cinco tributos por três até 2033.
Segundo a Xavier Advogados, parceira jurídica do ecossistema Grupo Elos, contratos sem previsão de ajuste tributário tendem a gerar disputa exatamente no momento em que a relação comercial mais precisa de estabilidade — quando a Reforma muda a composição do preço e nenhuma das partes sabe, com certeza, quem absorve a diferença.
Este artigo reúne as cláusulas que qualquer contrato de médio ou longo prazo deveria ter revisadas agora — antes que a próxima mudança normativa vire motivo de conflito entre as partes.
5 cláusulas que todo contrato de longo prazo precisa ter agora
Cláusula de Reequilíbrio Tributário
Prevê, de forma objetiva, o que acontece se a carga tributária da operação mudar durante a vigência do contrato — quem absorve, em que proporção, e como isso é calculado. Sem ela, qualquer mudança vira negociação do zero, sem parâmetro contratual.
Cláusula de Revisão de Preço
Define gatilhos claros para revisão do valor contratado, vinculados a eventos objetivos — não apenas ao "bom senso das partes". Especialmente importante em contratos que atravessam 2027, quando PIS e Cofins deixam de existir.
Cláusula Específica sobre IBS/CBS
Trata diretamente de como os novos tributos serão tratados na formação do preço — se estão inclusos, se serão destacados à parte, e como fica o crédito tributário gerado pela operação para a outra parte.
Cláusula de Rescisão por Mudança Regulatória Relevante
Protege as partes caso uma mudança normativa torne a operação inviável economicamente. Sem essa cláusula, sair de um contrato que ficou ruim depois da Reforma vira disputa judicial, não uma saída negociada.
Cláusula de Força Maior Atualizada
Muitas cláusulas de força maior, redigidas anos atrás, não contemplam mudança regulatória tributária como hipótese. Vale revisar a redação para garantir que ela cobre esse cenário específico, não só eventos naturais ou econômicos genéricos.