"Como está a empresa?" é provavelmente a pergunta mais feita — e mais mal respondida — em qualquer reunião de sócios. A resposta quase sempre vem em uma única métrica: faturamento. E faturamento, sozinho, é como julgar a saúde de alguém só pelo peso na balança: um dado real, mas incapaz de contar a história inteira.
A boa notícia é que não é preciso um dashboard complexo, nem uma equipe de BI, para ter uma visão de verdade do negócio. Cinco indicadores, olhados com regularidade, já cobrem as perguntas que mais importam: a empresa está lucrando de verdade, tem fôlego de caixa, sabe até onde pode negociar preço, e consegue honrar o que deve.
Neste artigo, vamos apresentar cada um desses cinco indicadores — o que ele mede, como calcular de forma simples, e o que ele revela que o faturamento sozinho jamais vai revelar.
Os 5 indicadores, lado a lado
Margem de Contribuição
(Preço – Custo variável) ÷ PreçoMostra quanto sobra de cada venda depois do custo direto — antes de pagar a estrutura fixa da empresa. É o primeiro número para saber se vale a pena vender mais, ou se cada venda extra está custando dinheiro.
EBITDA
Lucro Operacional + Juros + Impostos + DepreciaçãoA saúde da operação, isolada do efeito de dívida, imposto e desgaste contábil. Detalhamos esse indicador com uma tabela completa no nosso artigo sobre como ler o DRE.
Ciclo de Caixa
Prazo médio de recebimento – Prazo médio de pagamentoSe o resultado é positivo, a empresa paga o fornecedor antes de receber do cliente — um descasamento que exige capital de giro. Quanto menor, ou mais negativo, melhor para o caixa.
Ponto de Equilíbrio
Custos e despesas fixas ÷ Margem de contribuição (%)O quanto a empresa precisa faturar, no mínimo, para não operar no vermelho. Todo real vendido acima disso é o que realmente começa a gerar lucro.
Liquidez Corrente
Ativo Circulante ÷ Passivo CirculanteA capacidade da empresa de honrar suas contas de curto prazo com o que ela tem disponível, também no curto prazo. Resultado abaixo de 1 é sinal de alerta — significa que as dívidas de curto prazo superam os recursos disponíveis para pagá-las.