Toda empresa que já cresceu um pouco desenvolveu, sem perceber, um hábito financeiro silencioso: usar o dinheiro do imposto — no intervalo entre o recebimento da venda e o vencimento da guia — como uma espécie de fôlego de caixa. Não é fraude, não é irregularidade. É só a forma como o fluxo de caixa se acomodou ao sistema atual. O problema é que esse fôlego tem prazo de validade, e o nome desse prazo é Split Payment.
Split Payment significa "pagamento dividido". Em vez do cliente pagar o valor cheio para sua empresa e você recolher o imposto depois, o próprio mecanismo de pagamento passa a separar automaticamente a parcela de IBS e CBS no momento da transação, direcionando esse valor direto para o recolhimento — sua empresa nunca chega a "ver" esse dinheiro passar pela conta.
Hoje, esse mecanismo está em fase de teste, com a primeira etapa prevista para operações opcionais entre empresas (B2B). Mas a direção é clara: quanto mais cedo sua empresa entender o efeito disso no fluxo de caixa, menor o susto quando a implementação avançar.
Como funciona hoje, e como vai funcionar com Split Payment
Veja a mesma venda de R$ 10.000, nos dois cenários:
Recebimento de uma venda de R$ 10.000
Mesma venda de R$ 10.000
Valores ilustrativos, com base na alíquota combinada de tendência (~26,5%) discutida em nosso artigo sobre o cenário atual da Reforma. Os percentuais finais dependem de regulamentação e podem variar por setor e regime.